Dedetização errada pode aumentar casos de ataques por escorpiões.

Mais de 100 mil acidentes e 200 mortes são registrados, por ano no Brasil, decorrentes de diferentes tipos de envenenamento. Entre elas, estão as ocasionadas por escorpiões. De acordo com o Ministério da Saúde, de 2000 ao fim de 2010, foram 359.599 casos de acidentes por escorpiões, sendo a Região Nordeste a campeã em registros – 171.899 acidentes. Em segundo lugar aparece a Região Sudeste, com 148.039 casos, seguida pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.

Entre as vítimas, crianças. Pesquisa realizada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, mostra que 11 mil pequenos foram vítimas de acidentes com esses animais, apenas no estado, em 2011. Desses, 40 morreram. Entre os adultos, foram 46 mil registros de acidentes, resultando em 51 mortes. Os dados foram divulgados em setembro de 2011 pelo instituto.

Porém, a Unidade Técnica de Vigilância de Zoonoses do Ministério da Saúde contesta os dados. Segundo os números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), no ano de 2011, foram registrados, em todo o Brasil, 59.957 acidentes com escorpiões. O estado de São Paulo registrou 7.129 desses acidentes. Ainda de acordo com a mesma fonte, dos acidentes no País, 11.831 ocorreram em crianças com idade igual ou inferior a 14 anos e 48.126 em pessoas de 15 anos de idade ou mais. Ainda no mesmo ano, a unidade afirma que foram notificados no Brasil 92 óbitos em decorrência de acidentes por escorpiões, sendo 39 em crianças com 14 anos ou menos e 53 em pessoas com 15 anos ou mais. Para o estado de São Paulo, não há registro de óbitos em decorrência de acidentes escorpiônicos em 2011, segundo as informações do ministério.

Em outros locais no Brasil, a situação de acidentes os animais se repete. O último caso de repercussão nacional foi o de uma criança de 1 ano e 5 meses que morreu em abril deste ano após ter sido picada por um escorpião em uma creche no Guará, região administrativa do Distrito Federal. No desespero, muitos pais buscaram o serviço de dedetização contra escorpiões – que na capital federal saí por cerca de R$ 200. O que poucos sabem, no entanto, é que esse tipo de prevenção pode piorar o quadro e agravar o perigo.

De acordo com Manual de Controles de Escorpiões do Ministério da Saúde, dedetizar um ambiente a fim de exterminar os escorpiões faz com que os animais se desalojem, mas permaneçam vivos, aumentando os riscos. Com a aplicação pulverizada do produto, os animais se movem para regiões de superfície, onde não há veneno, e a possibilidade de acidentes aumenta.

Os escorpiões podem, ainda, permanecer longos períodos em abrigos – como frestas de paredes, telhas, escondidos em caixas e tijolos – que impedem que o inseticida entre em contato com o animal, causando uma falsa sensação de segurança. De acordo com o manual, os escorpiões possuem a capacidade de permanecer com seus estigmas pulmonares fechados e sem se alimentar por um longo período de tempo. “Qualquer veneno mataria o escorpião, desde que atingisse diretamente o animal. Mas, no caso da pulverização, dificilmente isso ocorre”, explica o o biólogo da Diretoria de Vigilância Ambiental do DF (Dival), Israel Martins.